21/01/2015

Tardei (Rodrigo Amarante)

Mantra para 2015.

Tardei, tardei, tardei
Mas cheguei, enfim
Pra cada adeus um nó
Cada conta
O fio do rosário que eu
Vim banhar, pra lhe dar
Tardei, tardei, tardei
Só na volta eu vi
Qual senda me levou
Qual me trouxe aqui
Pra encontrar você
Onde está, meu lugar?
Desceu pelo rio
Da terra pro mar
Um fio de prata que me leva
Tardei, tardei, tardei
Que na vinda eu quis
Pela primeira vez
Nunca mais partir
E esperar você
O meu lugar, onde está?
Desceu pelo rio
Da terra pro mar
Um fio de prata que me leva.

26/11/2012

E eis



E eis que em breve nos separaremos

E a verdade espantada é que eu sempre estive só de ti e não sabia

Eu agora sei, eu sou só

Eu e minha liberdade que não sei usar

Mas, eu assumo a minha solidão

Sou só, e tenho que viver uma certa glória íntima e silenciosa

Guardo teu nome em segredo

Preciso de segredos para viver

E eis que depois de uma tarde de quem sou eu

E de acordar a uma hora da madrugada em desespero

Eis que as três horas da madrugada, acordei e me encontrei

Fui ao encontro de mim, calma, alegre, plenitude sem fulminação

Simplesmente eu sou eu, e você é você

É lindo, é vasto, vai durar

Eu não sei muito bem o que vou fazer em seguida

Mas, por enquanto, olha pra mim e me ama

Não, tu olhas pra ti e te amas

É o que está certo

Eu sou antes, eu sou quase, eu sou nunca

E tudo isso ganhei ao deixar de te amar

Escuta! Eu te deixo ser… Deixa-me ser!



Clarice Lispector

30/10/2012

Saudade Imprudente - De Zé Marcolino

Oh que saudade imprudente
No meu peito martelando
Quando estou só me lembrando
Da minha vida na roça

Quando alegre um rouxinol
Cantava pelo arrebol
Quando centelhas de sol
Penetravam na palhoça

Minha casa era de arrasto
Frente virada pro norte
Pra ser feliz, pra dar sorte
Pra não se dá coisa ruim

Parece aquilo eu tá vendo
Pela lembrança, doendo
E a saudade trazendo
Tudo pra perto de mim

Conversa sem protocolo
De fácil vocabulário
Sem precisar calendário
Eu fazia anotação

Na minha imaginação
Eu achava tão comum
Contar mês de trinta e um
Na palma da minha mão

16/06/2012

Paixão e Medo II


Paixão é essa coisa acelerada
Quase uma patologia
Coração disparado, borboletas no estômago
Raciocínio lento, sede... Do outro.

Desta vez fui pega no contrapé
Pensei que fosse apenas cama
Mas pela manhã ainda quis te ver
Quis saber como se sentia
Quis te beijar de novo
Seu temor se tornou real
E eu que não tinha medo, tremi.

No calor do nosso quarto
E diante de palavras desconexas, sinceras e cuidadosas
Te desejo, te sinto e te ouço,
Atenta, silenciosa, com olhos de que tem fome
E fico confusa: o que sinto? O que há de vir?

Coração dilacerado, na mão
Como pode amor machucar?
Neste momento penso que o poeta que sabe das coisas:
"esqueço que amar é quase uma dor".

 

24/03/2012

Mudo

Um sonho silencioso, em plano inconsciente, mas que ao seu modo pede atenção, sem dizer por quê

Atrás dessa angústia, ímpar, insaciável, fui.

E ao deparar-me com tanta máscara e tipos feitos sem qualquer customização, mudei.

Aquela energia, de dimensão errada, mostrou sua face, mesmo que por trás daquela máscara amarela.

Como se cada passo até aquele momento, fossem por,

Por isso, esse, que se quer é possível designar.

Ora, como buscar por algo que não se sabe o que é?

Essa coisa cheia de luz, muda, me muda, me puxa, com um ímã.

Eis que, de tanto exaltar aos quatro ventos e cantos,

Do mudo, emanou a voz, ainda que tímida

O branco-amarelo, esse uníssono mudo barulhento,

Apresenta-se em verso, prosa, sons e letras.

Folhas amareladas, outras brancas e a estrada busca os pés

Mudo, de novo, para o que era, desde sempre.

 

Casa de Vovó

10/02/2012

Me deixa

Podem avisar, pode avisar
Invente uma doença que me
Deixe em casa pra sonhar
Pode avisar, podem avisar
Invente uma doença que me
Deixe em casa pra sonhar
Com o novo enredo outro dia de folia
Com o novo enredo outro dia de folia

Eu ia explodir, eu ia explodir
Mas eles não vão ver os meus pedaços por aí
Eu ia explodir, eu ia explodir
Mas eles não vão ver os meus pedaços por aí

Me deixa que hoje eu to de
Bobeira, bobeira
Me deixa que hoje eu tô de
Bobeira, bobeira

Hoje eu desafio o mundo
Sem sair da minha casa
Hoje eu sou um homem mais sincero
E mais justo comigo
Hoje eu desafio o mundo
Sem sair da minha casa
Hoje eu sou um homem mais sincero e
Mais justo comigo

Podem os homens vir que
Não vão me abalar
Os cães farejam o medo,
Logo não vão me encontrar
Não se trata de coragem
Mas meus olhos estão distantes
Me camuflam na paisagem
Dando um tempo,tempo, tempo
Pra cantar

Me deixa, que hoje eu tô de
Bobeira, bobeira
Me deixa, deixa, deixa
Que hoje eu to de
Bobeira, bobeira

 

22/01/2012

De: Amyr Klink (um ídolo)

"Um homem precisa viajar.
Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV.
Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu.
Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor.
Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto.
Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto.
Um homem precisa viajar para lugares que não conhece
para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos,
e não simplesmente como é ou pode ser.
Que nos faz professores e doutores do que não vimos,
quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver".